Os processos de migração, naturalização e dupla cidadania se tornaram visíveis no mundo do futebol.

Embora estes não sejam fenômenos recentes, notamos sua propagação e velocidade nos últimos anos. Portanto, o objetivo principal deste artigo é mapear estes fenômenos da migração nas últimas duas décadas e observar algumas das mudanças que ocorreram no futebol contemporâneo.

Através de uma metodologia qualitativa, procura mapear, interpretar e analisar um conjunto de dados e informações de várias fontes, incluindo jornais, revistas esportivas, a Internet (sites esportivos), artigos científicos e livros ilustrados (álbuns de cartões de futebol). No final do estudo, foi destacado que a proliferação de casos de dupla cidadania e naturalização entre futebolistas profissionais é parte de um movimento migratório em rápido crescimento nos últimos anos, que criou tensões no conceito de fronteiras territoriais e nacionalidade.

Migração

Segundo o censo de 2007 da FIFA (Fédération Internationale de Football Association), o futebol é o esporte mais praticado no mundo, com 264,5 milhões de pessoas nos seis continentes, ou 4,13% da população mundial.

Como proporção da população, o país mais popular para o futebol é a Costa Rica, com 27% da população, e o segundo mais popular é a Alemanha, com 20% da população. Apesar de ser considerado uma potência do futebol, o Brasil não está nem entre os 20 primeiros, principalmente devido à sua grande população, com apenas 7% da população.

Em termos de números, o país com o maior número de jogadores de futebol é a China com 26 milhões, seguido pelos Estados Unidos com 24,4 milhões. O Brasil ocupa a quinta posição, com pouco mais de 13 milhões de praticantes. Segundo a Federação Brasileira de Futebol (CBF), o Brasil está em primeiro lugar em termos do número de jogadores registrados com aproximadamente 116.200 jogadores desde 2007 (LEGIIO … , 2007).

O futebol pode ser considerado um esporte moderno que surgiu no processo de expansão capitalista no final do século 19 e se afirmou como um esporte de massa e global no final do século 20 (ELIAS; DUNNING, 1992).

Além daqueles que jogam, o futebol hoje envolve milhões de torcedores, simpatizantes e espectadores ao redor do mundo (LEES, 2003: GIULIANOTTI, 2002). Neste contexto, a Copa do Mundo de Futebol tornou-se um evento emblemático, visando desenvolver o futebol em diferentes continentes e fazer do futebol “pós-moderno” (GIULIANOTTI, 2002) um esporte globalizado (GIULIANOTTI, 2002).

Com a globalização do futebol, cada vez mais futebolistas profissionais estão solicitando a naturalização ou dupla nacionalidade em outros países; de acordo com Ribeiro (2007, p. 71), naturalização na verdade é “o ato pelo qual uma pessoa adquire uma nacionalidade diferente de sua nacionalidade de origem”.

Os requisitos básicos para poder solicitar a naturalização são aceitos alternadamente de um país para outro, mas em geral, condições como residência no país por um determinado período de tempo e prova de um relacionamento válido com a pessoa da nacionalidade em questão (casamento com pessoal da Nacionalidade e país desejado) são levadas em consideração; por isso existem várias fraudes em casamentos.

Ribeiro (2007, p. 71) definine desta forma a dupla nacionalidade “o estado em que uma pessoa possui duas nacionalidades ao mesmo tempo”. Ela pode ser adquirida através de descendência dos pais (jus sanguinis) e da terra (jus soli), sob certas condições por um certo período de tempo enquanto a pessoa vive naquele país.

A naturalização e a dupla cidadania atendem às exigências específicas de cada país. Por exemplo, a Alemanha e a Áustria, o candidato deve por exemplo ser fluente no idioma do país e ter um conhecimento geral considerável desse país.

No Reino Unido, os candidatos devem ter vivido no país por pelo menos cinco anos, ter um bom conhecimento da língua inglesa e passar no teste Life in the UK sobre a cultura britânica, incluindo educação moral e cívica, direito, história e política (Brazillian in London, 2011). Na França, é necessário um mínimo de cinco anos de residência no país e a conclusão bem sucedida de um teste de conhecimento.

A Espanha, como a Itália, exige um mínimo de 10 anos de residência e uma entrevista. Já nos Países Baixos, por exemplo os candidatos que não pertencentes à UE devem fazer um teste que consiste em questões lingüísticas e sociais na embaixada holandesa. Os candidatos devem ter vivido no Brasil continuamente por pelo menos quatro anos, ser capazes de ler e escrever em português e ser capazes de sustentar a si mesmos e suas famílias. Alguns países não permitem que seus cidadãos adquiram outras nacionalidades, tais como Arábia Saudita, Irã e Coréia do Norte (BRASIL, 2009).

Como exemplo, temos o caso de três brasileiros. O primeiro é o defensor jurídico brasileiro Giuliano Howe Beretti, que venceu a Copa do Mundo em 2002 e jogou pelo Fluminense em 2011, mas se tornou cidadão italiano porque tinha descendentes daquele país.

O ex-zagueiro Marcos Evangelista de Moraes (Cafu), ex-zagueiro titular do clube italiano Milan e vencedor da Copa do Mundo do Brasil em 1994 e 2002, não tem pedigree, mas conseguiu obter a cidadania italiana porque viveu no país durante o período legislativo. Outro jogador – Marcos Antonio Senna da Silva (Marcos Senna), titular absoluto do clube espanhol Villarreal no ano de 2010, naturalizou não apenas um espanhol, mas também um meio-campista da equipe espanhola em 2009, que foi selecionado em favor da seleção deste país.

migração

Além das condições gerais de cada país, a FIFA através de seus estatutos, também regulamentam os procedimentos de naturalização e a dupla nacionalidade dos jogadores. Além de outras coisas, afirma que o jogador e seus pais ou avós devem obrigatóriamente ter nascido no país de sua escolha (nacionalidade original) ou que o jogador deve ter vivido no país onde foi naturalizado por pelo menos dois anos.

Além disso, um jogador que jogou em uma partida oficial para a seleção de um país não pode jogar em outro país (OUR…. Durante a Copa do Mundo de 1962 no Chile, um número significativo de jogadores jogou por equipes diferentes de seu próprio país, o que levou a FIFA a se concentrar nesta questão.

Nos últimos anos, houve um aumento na migração e naturalização dos atores, especialmente na Europa. Dado o contexto do futebol mencionado acima, a tarefa central deste estudo é, portanto, analisar o processo de imigração, o fenômeno da naturalização e da dupla nacionalidade dos jogadores profissionais de futebol nas duas últimas décadas. A escolha de abordar as questões referentes a imigração, a naturalização e tambéma dupla nacionalidade dos participantes do mesmo estudo deve-se principalmente ao fato de que estas questões estão intimamente ligadas.

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